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Potências do xadrez: Ucrânia

Assim como na Rússia, a escola ucraniana de xadrez tem resquícios da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS ou simplesmente União Soviética). Porém, enquanto vários dos campeões mundiais soviéticos hoje seriam nascidos em solo russo, os maiores destaques da Ucrânia estão no meio feminino. O país tem nomes como Ivanchuk e Ponomariov no top 100 absoluto, mas grandes enxadristas ucranianas já aparecem no top 10 entre as mulheres.


Olimpíadas

Em número de campeãs mundiais as ucranianas só ficam atrás das chinesas e russas. Além disso, o país subiu ao pódio nas últimas seis Olimpíadas. Depois da primeira prata em 1992, a seleção feminina voltou com o ouro em 2006 e não parou mais: prata em 2008, três bronzes entre 2010 e 2016 e prata em 2018. Também não deixam a desejar na Olimpíada aberta, com dois ouros, duas pratas e três bronzes desde 1996 (sete pódios em doze edições).


A pioneira

Lyudmila Vladimirovna Rudenko, nascida em 27 de julho de 1904, era soviética nascida na atual região pertencente à Ucrânia. Aprendeu a jogar xadrez como o pai aos 10 anos, porém a princípio não levou a diante os estudos na modalidade. Com a dispersão da família após a revolução, mudou-se para Odessa, onde se dedicou à carreira na área da economia e à prática da natação.

Ao ir trabalhar para um comitê de planejamento econômico da União Soviética, em Moscou, em 1925, teve interesse de jogar seu primeiro torneio de xadrez. Em 1928 venceu o Campeonato Feminino da cidade. Trabalhou em uma gráfica e depois numa fábrica de armamentos. Na Segunda Guerra Mundial, durante o cerco de Leningrado, organizou a evacuação dos filhos de operários, uma façanha que ela considerava sua realização mais importante. Depois da guerra, dedicou-se ao xadrez, treinando com Alexander Tolush e Grigory Levenfish.

Lyudmila sucedeu Vera Menchik após vencer a 8ª edição do Campeonato Mundial, realizada em 1949, tornando-se a 2ª Campeã Mundial Feminina – ela manteve o título até 1953, quando perdeu o match de defesa contra a também soviética Elisaveta Byvoka. Obteve os títulos de Mestre Internacional (IM) e Grande Mestra Feminina (WGM), porém, dedicando-se por muitos anos à economia e à vida familiar, teve uma curta carreira enxadrística: seu período mais ativo foi de 1950 a 1956 e foi possível encontrar em base de dados apenas pouco mais de 40 de suas partidas. Ela morreu em 4 de março de 1986, aos 81 anos.


Volta ao topo no início do século XXI

Anna Yuriyivna Ushenina nasceu em Karkov (Ucrânia), no dia 30 de agosto de 1985. A mãe acreditava que a filha deveria desenvolver seus talentos intelectuais e criativos, por isso, quando tinha sete anos, foi introduzida ao xadrez, pintura e música. Aos 15 venceu o Campeonato Ucraniano Sub 20 Feminino e aos 18 era WGM (Grande Mestre Feminina).

No 36º Campeonato Mundial Feminino, realizado em 2012 em sistema nocaute, Ushenina chegou à final com a búlgara Antoaneta Stefanova. A disputa seguiu equilibrada, mas, nos desempates rápidos, um empate e uma vitória deram à ucraniana o título e Anna Ushenina sagrou-se a 14ª Campeã Mundial Feminina, tornando-se também Grande Mestre (GM). Ela manteve a coroa por 10 meses, até a disputa em sistema de match com Hou Yifan em setembro de 2013: a chinesa retomou o título por um placar de 5,5 x 1,5.

O treinador Gennady Krugovoy descreveu o estilo da atleta (tradução livre):

“Sua característica mais importante é a capacidade de luta. Anna não reconhece ninguém e não há compromissos. Ela sempre acredita na vitória e se esforça por ela. Apesar do fato de que às vezes até passa por uma perda, muitas vezes não concorda com um empate, onde precisa ser feito. […]”


No top 10 feminino: Mariya Muzychuk

Mariya Olehivna Muzychuk nasceu em Lviv, na Ucrânia, em 21 de setembro de 1992. Começou a aprender xadrez com os pais, que são treinadores, logo quando tinha entre dois e três anos. A irmã mais velha é Anna Muzychuk, também enxadrista. Mariya venceu diversos torneios de categoria, entre nacionais, europeus e mundiais. Aos 15 era WGM (Grande Mestre Feminina) e aos 16 anos MI (Mestre Internacional).

Em 2015, era a pré-ranqueada número 8 (ELO 2526) do 38º Campeonato Mundial Feminino. O evento foi realizado entre março e abril, em Sochi (Rússia), em sistema eliminatório com 64 jogadoras. Estavam também na disputa as campeãs mundiais de 2004, 2008 e 2012: Antoaneta StefanovaAlexandra Kosteniuk e Anna Ushenina.

Chegou à final com a russa Natalia Pogonina: o único encontro prévio entre as finalistas tinha acontecido oito anos antes e havia terminado em empate, estando em aberto o que aconteceria. O confronto, no entanto, não chegou aos desempates: com três empates e uma vitória, Mariya Muzychuk tornou-se a 15ª Campeã Mundial Feminina.

Mariya Muzychuk recebeu o prêmio honorário de Caissa pela FIDE como melhor jogadora de 2015 e também a Ordem de Mérito da Ucrânia. Compôs a seleção ucraniana nas últimas cinco Olimpíadas e está entre as 100 mulheres mais influentes da Ucrânia segundo a Focus.


No top 10 feminino: Anna Muzychuk

Assim como Mariya, Anna Olehivna Muzychuk aprendeu cedo a jogar com os pais. Nascida em fevereiro de 1990, disputou o primeiro torneio aos 5 e no mesmo ano estava no pódio do campeonato sub 10 de Lviv Oblast. Obteve destaque em diversos campeonatos ucranianos, europeus e mundiais de categoria. Entre 2004 e 2014, representou a Eslovênia e chegou ao top 3 do ranking feminino. Tornou-se Grande Mestre (GM) em 2012 e é uma das quatro enxadristas de toda a história a cruzar os 2600 – depois de Judit Polgar, Humpy Koneru e Hou Yifan. Foi Campeã Mundial Blitz Feminino em 2014 e defendeu o título em 2016, quando também venceu o mundial de xadrez rápido.